sexta-feira, 18 de abril de 2025

A primeira lei de Newton

ou, também chamada de lei da inércia


Sempre gostei de física e, inclusive, foi o que me levou a cursar Licenciatura em Física na faculdade. Por algum motivo, a área da mecânica, dentre todos os conteúdos da Física, sempre foi o que mais me fascinou. Assim, sempre foi o conteúdo que eu mais lecionei ao longo desses mais de 15 anos de experiência docente.

Dentro da mecânica, um dos assuntos que tenho mais carinho, é a interpretação das três leis de Newton.

Sempre procurei fazer uma conceituação verbal e escrita muito bem feita ao longo de minhas aulas, pois acredito que se o conceito está bem definido na cabeça, qualquer desenvolvimento de raciocínio ou resolução de problemas - que envolvam manipulação de fórmulas matemáticas, por exemplo - fica mais fácil.

A primeira lei de Newton, do ponto de vista da formulação matemática, é simples: Se a resultante de um sistemas de forças externas a um corpo é nula sobre este determinado corpo, este corpo ou estará parado ou em velocidade constante, se movendo em linha reta. Em outras palavras

Mas essa formulação tem uma interpretação um pouco mais profunda e oculta. 

Primeiramente, há algo em comum entre estar parado e ter velocidade constante e em linha reta: aceleração nula. Em outras palavras, quando as interações externas sobre um corpo (forças) se anulam totalmente, este corpo não possuirá aceleração. Não querendo entrar no campo da cinemática, onde define-se bem a aceleração, mas é importante lembrar que a aceleração é a taxa com a qual a velocidade de um corpo varia... Assim, se não há variação de velocidade e ele está parado, ele ficará parado. Ainda, se não há variação de velocidade e o mesmo está se movendo de alguma forma, ele continuará se movendo da mesma forma.

- Pontos de atenção para outros posts: vetores velocidade e aceleração

Além disso, a primeira lei de Newton também define a inércia. Inércia é, portanto, um estado no qual um corpo se encontra sob ação de força nenhuma (muito incomum) ou sob ação de diversas forças cuja resultante é nula (todas as forças se anulam de alguma forma). Mais que isso, inércia é o estado no qual um corpo não está de forma alguma alterando sua velocidade - caso parado, permanecer parado ou, em caso de movimento, não o altera de forma alguma, seja em rapidez ou em direção e sentido.

Por fim, essa primeira lei de Newton trás uma limitação que é carregada junto com as demais: o observador, para observar o mundo através das três leis, deverá estar em estado inercial. Em outras palavras, se quem descreve um fenômeno pelas leis de Newton estiver de alguma forma acelerado, possivelmente terá dificuldades em descrever o fenômeno utilizando as três leis...



Por hoje era isso

"Há braços"

quarta-feira, 16 de abril de 2025

A docência...

 Eu costumava pensar diferente como professor até alguns anos atrás...


Como alguns sabem, minha formação original é em Física. Cursei "Licenciatura em Física" entre 2006 e 2010 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tive professores incríveis, mas também tive aqueles complicados de lidar. Tive colegas de curso que levo como amigos até hoje e também tive aqueles que ou desistiram do curso nas fases iniciais, ou perdi contato não intencionalmente. Como falo para meus alunos e colegas hoje: quem faz o curso é o aluno (e isso tem várias interpretações possíveis) e, no sentido de percorrer a trilha de aprendizados e formação, digo que foi um curso muito bom, pois me dediquei tudo que era possível dadas as circunstâncias.

Durante a graduação atuei como monitor de disciplina de matemática e, na sequência, como docente da disciplina de matemática para turmas do Ensino Fundamental II (do 6º ao 9º ano) em uma escola privada em Florianópolis. Posso dizer - e sempre digo - que essa foi minha verdadeira escola da docência. Foi lá que desenvolvi meus métodos, que tive oportunidade de desenvolver ferramentas para auxiliar professores e alunos, que aprendi a lidar com alunos que nem sempre estão ali com vontade de estar ali. Mas eu ainda acreditava que podia mudar a vontade do aluno - sempre fui idealista em termos de educação...

Depois de dois anos fora da sala de aula por conta do mestrado, retornei à atividade docente em 2012. Dessa vez em Criciúma, assumi como professor de diversas disciplinas dos cursos de graduação de engenharia de uma universidade da cidade e, também, de uma escola privada, também do mesmo município. Praticamente ao longo de todo o tempo e até hoje, lecionei e ainda leciono na universidade em questão, mas ao longo dos anos, paralelamente à graduação, atuei em diversas escolas e cursos pré-vestibular da cidade. Meu negócio sempre foi lecionar, explicar física.

Sou docente de física daqueles que seguem a linha de solução de problemas de avaliações e livros textos. Não sou um professor da área experimental, mesmo que tenha lecionado disciplinas experimentais na universidade - não me sinto à vontade. Gosto de tentar desenvolvimento o raciocínio lógico por meio de letras, números e símbolos. Mesmo que grande parte dos problemas de física encontrados nas provas de vestibular e livros textos assumam condições absurdas nas situações problema, o conceito sempre pode ser trabalhado utilizando abstração - que também é algo muito importante no desenvolvimento do raciocínio lógico.


Hoje, dentro do mundo da docência - em todos os níveis - nós docentes enfrentamos uma pergunta doentia originária do imediatismo que o mundo atual nos trouxe: "Para que vou utilizar isso?". Quando pior, os alunos nos indagam - às vezes até com certa braveza - "Nunca vou utilizar isso para nada." e citam o teorema de pitágoras ou a fórmula de Bháskara como exemplos. Ao meu ver, o errado não é a evolução do mundo e nem o imediatismo. O digital agilizou muita coisa e tornou muita coisa muito mais imediata que antigamente. Da mesma forma, tornou muitos procedimentos comuns da vida moderna muito mais "diretos ao ponto" e "focados no objetivo", fazendo com que, muitas vezes, a viagem se torne menos importante que o destino. Temos sim que, aproveitar dos benefícios do mundo moderno, mas nós, assim como os nossos alunos, estamos perdendo a oportunidade de realmente entender o que se passe em prol do fazer, entregar e saber usar, sem muito pensar.

A reflexão é esta... Ser docente hoje em dia, em um mundo de IAs, LLMs, onde todo o conhecimento se encontra disponível e acessível a todos, é tentar encontrar uma forma de fazer com que os alunos desacelerem e desfrutem do pequeno momento de pensamento, de raciocínio, de fazer conscientemente. O mundo continuará acelerado lá fora e não temos nada o que fazer contra isso e nem devemos, como docentes, tentar. E eu, olhando aquele professor conteudista e metódico de uns anos atrás, vejo como mudei. Se para melhor ou para pior não sei, mas sei que não sou o saudosista que continua jogando a culpa da falta de capacidade atual de nossos alunos no sistema de ensino ou professores de fases anteriores. E também não atribuo mais a culpa daquilo que eu julgava ser despreparo do aluno ao mundo imediatista - pelo contrário, preciso e tento surfar a onda, mas com as rédias na mão.

Doa a quem doer... você, meu caro professor, precisa parar e repensar o que é lecionar no mundo atual.

"Há braços"


terça-feira, 15 de abril de 2025

O velho depósito...

 Com um certo sentimento de nostalgia, retorno aos trabalhos padrões do depósito...


Sim, é o velho depósito, sujo e cheio de lembranças de tempos que não voltam mais - e que nem quero que voltem. E, por ser cheio de lembranças, hoje ele se encontra vazio: pronto para uma reforma e para novos armazenamentos.

Uma vez, eu usava o espaço para desabafar de problemas que eu achava que eu tinha. Hoje, olhando para trás, vejo que os problemas eram apenas pequenas pedras e que, se não fossem elas e todos as outras grandes rochas, montanhas e picos que encontrei pelo caminho, não teria aprendido tudo que aprendi e me tornado a pessoa que sou hoje - boa ou ruim, depende da sua percepção. Hoje, então, o depósito será utilizado para um outro fim... Quem ver verá.

Mas por que novamente aqui?

Encontrei um post muito antigo do antigo neckelwarehouse.blogspot.com (espaço esse definitivamente desativado pelo google e não reutilizável) no internet archive. Nele, constava que eu estava de mudança para Florianópolis, pois havia recém sido aprovado no vestibular da UFSC para o curso de Licenciatura em Física. Fazem 20 anos desse post... 

Então veio a nostalgia, reapareceu a vontade de escrever... A vida hoje é muito mais corrida que naquela época e quase não tenho mais tempo de ler e escrever por lazer - hoje escrevo basicamente código SQL e Python...

Não sei se essa é uma tentativa frustrada e se, em algum momento, vou acabar abandonando isso aqui novamente, mas vou fazer algum esforço

-- pelo menos não é mais a prisão de vidro --

"Há braços"






A primeira lei de Newton

ou, também chamada de lei da inércia Sempre gostei de física e, inclusive, foi o que me levou a cursar Licenciatura em Física na faculdade. ...